ABRE CAMINHO - MARIENE DE CASTRO
Produzido por J. Velloso, 2005

  Abre Caminho é o álbum de estreia da cantora brasileira Mariene de Castro, produzido por J. Velloso e lançado em 14 de fevereiro de 2005. Foi vencedor como o Melhor Disco Regional no Prêmio TIM. A produção tem repertório quase cem porcento composto por músicas inéditas coletadas, a pedido do produtor, dentro do universo dos compositores de MPB. Constam, por exemplo, uma música inédita de Caetano Veloso e outra de Gerônimo, como também o reconhecimento a Roque Ferreira como grande compositor, que participa do CD com oito músicas de sua autoria. Feito semelhante só ocorrido após gravações frequentes de suas canções por Maria Bethânia muitos anos depois.

   Sobre a produção desse disco, J. Velloso conta: 

 

   “Conheci Mariene de Castro através do grande músico e amigo Saul Barbosa. Ele foi com ela ao meu aniversário lá em casa. E na farra de violões e cantorias ela cantou e eu fiquei impressionado com a voz. Depois disso ela me convidou para dirigir um show dela, pois faria uma turnê pelo sul da França. Eu aceitei o convite, mas sem muita expectativa. Convidei os músicos Luciano Bahia e Dailha Mendes, mas Daillha não podia viajar pois trabalhava no Projeto Axé. Então Mariene convidou o percussionista Serginho, muito jovem e muito bom músico. Assim estava formada a caravana baiana.

  No primeiro ensaio eu pude ver que ali existia uma intérprete de verdade nascendo. Toda desanimação que eu tinha antes foi embora e a vontade de me dedicar à música de forma mais ousada nasceu. Desde o ensaio, a música “Ilha de Maré” foi incluída no repertório, depois entrou no disco “Abre Caminho” e permanece viva no repertório de Mariene até hoje. Essa música, de Walmir Lima e Lupa, se mantinha viva só na voz do povo que participava do cortejo da Lavagem do Bonfim. Então vi que essa música poderia renascer, junto com essa nova cantora que surgia. Seguimos um repertório ligado à música popular brasileira e viajamos para Agen, cidade ao sul da França, que serviu de base para a turnê. O produtor local, Guy Capdeville, ficou meio surpreso com a minha presença no grupo, pois eu não era músico, mas, dias depois, ele me confessou que minha ida foi muito importante, pois, além de eu ter ido para dirigir os shows, minha presença auxiliava no apoio às necessidades de uma artista emergente que vinha com muita força.

   O show era todo com músicas brasileiras e as falas que achei importante que Mariene dissesse em português. O desafio era grande, mas era prazeroso quando chegava ao fim de cada apresentação. Muitos choravam sem entender uma só palavra que foi cantada. Isso me levava a imaginar que, quando retornássemos para a Bahia, de Mariene de Castro teria o seu devido o reconhecimento. Mas ela precisou enfrentar o ditado “santo  de  casa  não  faz  milagre” e  lutou  muito para contrariá-lo.

Voltamos e fizemos muitos shows e o repertório foi se firmando. Muitos amigos iam assistir e assim ajudaram. Mas, durante a produção do disco de Batatinha, eu me tornei amigo de Roque Ferreira, conheci mais suas músicas e ficamos amigos. Algumas músicas de Roque passaram a fazer parte dos shows, entre   elas “Nonô” e “Quebradeira de coco”, que entraram também no  disco “Abre Caminho”.  Roque, desde o início, dizia que Mariene deveria se dedicar a cantar samba, mas  eu  sempre  gosto  mais quando o trabalho não é preso a um estilo, tanto que o disco “Abre Caminho” de Mariene, apesar de ter muitas músicas de Roque Ferreira, não é um disco de samba.  

   Mariene sempre foi empreendedora e dedicada à sua carreira. Conseguiu ganhar um prêmio de música que viabilizou a gravação do seu disco. Depois corri para conseguir músicas inéditas de outros compositores. Consegui com Caetano Veloso a liberação para ela gravar “Estrelas”, uma linda canção inédita que eu lembrava, e pedi a Gerônimo uma canção e ele cantarolou para mim “Mulher”, outro belo presente para o disco. Recolhi algumas canções dos blocos de índio, hoje praticamente extintos do carnaval da Bahia, que aprendi com Aloísio Meneses nos ensaios do bloco “Cortejo Afro” e montamos um pot-pourri. Gravamos uns “sambas de caboclo” de domínio público, devido a relação forte da música com a fé no trabalho de Mariene. Roque Ferreira sugeriu que fizéssemos uma música de apresentação e assim nasceu nossa parceria “Abre Caminho”. As sugestões de Roque foram sempre precisas, pois além de grande compositor, ele trabalhava com publicidade. Dessa forma, nós tínhamos uma assessoria de marketing sem nem perceber.​

   O disco “Abre Caminho”, abriu o caminho para todos nós. Mariene continua sendo a referência mais popular de música baiana reconhecida nacionalmente sem ser ligada ao carnaval. Roque Ferreira é hoje o compositor mais desejado no Brasil. Luciano Bahia, cantor, músico, compositor, produtor é um parceiro de suma importância para o sucesso de tudo isso e reconhecido como um dos grandes produtores de discos na Bahia. E eu, a partir daí, passei a ter mais coragem e prazer para enfrentar desafios para trabalhar com música.”

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