DONA EDITH DO PRATO - VOZES DA PURIFICAÇÃO
Produzido por J. Velloso, 2002

  "Nunca sonhei em ser artista. Foi Caetano quem me deu esse caminho", contou Dona Edith, aos 86 anos. Produzido por J. Velloso, com patrocínio do governo do estado da Bahia, o CD “Dona Edith do Prato - Vozes da Purificação” conta com participações afetivas do grupo Vozes da Purificação, Maria Bethânia, Mariene de Castro, Cortejo Afro, Roque Ferreira, Nené Barrêtto, Erlon Portugal e Caetano Veloso, de quem Edith foi mãe de leite.

   Dona Edith lembrava que desde a escolha de repertório, feita por J. Velloso, até os arranjos e a gravação das faixas em si, tudo foi muito prazeroso. "Os músicos são muito bons e alegres, me diverti muito. Eu também fiquei muito feliz com o resultado do CD, os sambas estão muito gostosos", avaliou. E ela não exagera porque, ao ouvir o CD, têm-se a sensação de estar no meio de uma das festas de largo da cidade de Santo Amaro. O registro "ficou mais ou menos como as festas que eu ia naquele tempo", disse Edith, referindo-se aos anos 30 e 40. 

   O disco remete, via samba-de-roda, aos primeiros passos do samba, gênero musical que é símbolo do Brasil. Muito antes de ser lavrada sua certidão de nascimento com o primeiro samba gravado ("Pelo Telefone", em 1917), por João da Baiana (filho de uma santamarense, Tia Preciliana, como informa o produtor e pesquisador Hermínio Bello de Carvalho no encarte do disco) já  se exercitava o prato-e-faca nos terreiros das tias baianas radicadas no Rio. É creditada a João da Baiana, diga-se, a introdução no samba de outro instrumento comum ao samba-de-roda, o pandeiro.

   Sobre a experiencia de produção desse disco, J. Velloso conta:

   "A ideia de gravar um CD com D. Edith do Prato e Vozes da Purificação surgiu após a participação delas no CD do Rosário dos Pretos. Quando tive a ideia de produzir o CD da parte cantada da missa do Rosário dos Pretos (Pelourinho, Salvador, BA), tinha uma das músicas, de autoria de Pe. Alfredo Dórea, que lembrava muito os sambas de roda de domínio público que cresci ouvindo em Santo Amaro (BA). Na mesma hora tive a vontade de convidar Edith para fazer. Tinha também uma vontade grande de relembrar a participação dela no disco “Araçá Azul” de Caetano. Fiz o convite e ela aceitou com alegria. Logo vi a necessidade de umas vozes para responder o samba. Convidei algumas cantoras do “Coral Miguel Lima”, lá de Santo Amaro, e outras pessoas da terra, que gostam muito de samba de roda, para fazerem parte desse grupo. Para identificar o grupo no CD, batizei de Vozes da Purificação, numa homenagem à padroeira da cidade, Nossa Senhora da Purificação. A facilidade que elas gravaram o samba no CD do Rosário dos Pretos reforçou o desejo de fazer um CD com Edith, pois imaginei que seria simples de ser registrado e que ficaria muito bonito.

​     Conversei com Elias Filho e pedi para ele tentar uma captação para a gente realizar o projeto. Com o projeto aprovado, fui conversar com  Edith  sobre o isso.  Fiz  alguns

com ela para saber os sambas que ela gostava. Fiz o mesmo com Nené Barrêtto, minha tia que fazia parte do “Vozes da Purificação”, para que ela me apresentasse outros sambas além dos que Edith tinha cantado para mim. Muitos deles eu já conhecia, mas outros tantos eu recebi como presentes surpreendentes para o disco. Fiz a seleção dos sambas que considerei que não poderiam deixar de fazerem parte do disco. Os sambas mais curtos fui adaptando uns aos outros, dentro de um tema que houvesse relação, para que tivessem um tempo habitual de música, de três a quatro minutos de duração por faixa. Com o repertório definido, convidei Paulo Darfilin para fazer a direção musical e os percussionistas Badega e Dailha Mendes para fazerem a percussão que nós precisávamos. Depois escolhemos, eu e Edith, os convidados para participar do CD.

   Desde o início eu desejei que o disco não tivesse um perfil de um trabalho de pesquisa acadêmica, pois, desta forma, eu teria menos liberdade para ter faixas mais diversificadas. Queria um disco que pudesse ouvir sentado, ouvir dançando e ouvir no rádio."

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